Empreendedorismo Social

O ano passado foi um ano particularmente desafiante na minha vida. Foi o ano em que questionei tudo. Dez anos depois de trabalhar em grandes empresas, a minha vida fazia muito pouco sentido (profissionalmente falando). Senti-me frustrada, triste e desiludida. Um número, um objecto para chegar a um objetivo corporativo: ganhar dinheiro.


O ano passado foi também o ano que decidi arriscar. No final de 2019 eu, o Marco, a Elsa e o Artur submetemos um projecto ao Laboratório de Inovação Social do Human Power Hub (https://www.facebook.com/humanpowerhub), um projeto que presta apoio à aceleração e incubação de ideias empreendedoras orientadas para o impacto social.


Fomos seleccionados. Uma primeira vitória mas, sobretudo, o começo de uma mudança verdadeiramente profunda de visão sobre o mundo.


Nunca nada na minha vida até aqui tinha sido um reflexo tão verdadeiro da expressão “that escalated quickly” quanto os momentos que se seguiram.


O próximo passo foi frequentarmos um bootcamp de aceleração. Três dias alucinantes de aprendizagem e partilha de experiências, onde conheci pessoas verdadeiramente inspiradoras. Com ajuda do IES (https://www.facebook.com/IES.SBS), os responsáveis pelos projectos tiverem a oportunidade de aprender sobre um tema que nunca antes tinha sequer ouvido falar: Economia Social.


Sim, há empresas cujo objectivo principal não é ganhar dinheiro. Existe um conceito chamado “Empreendedorismo Social”.


Durante esses dias aprendi (e aqui resumindo muito tudo o que se passou naqueles três dias absolutamente imersivos mas transformadores) que há empresas cujo objectivo principal é criar impacto na vida das outras pessoas, da comunidade, do mundo.

No momento em que vivemos não consigo deixar de pensar que o mundo seria diferente se tivéssemos dado a mesma importância ou atenção à Economia Social que damos à Economia de Mercado.


Que, enquanto sociedade, devemos ajudar a promover, reforçar, emponderar estas empresas sociais.

E que, de certa forma o estamos a fazer, quando difundimos e publicitamos apps ou sites de ajuda durante a pandemia, quando as empresas param as suas produções para fazerem máscaras e material de apoio médico, quando os desempregados são chamados aos lares para ajudar, quando formamos grupos ou associações de ajuda a pessoas que não têm uma casa para onde ir.


Há um problema e a sociedade uniu-se para o resolver.


Tudo isto comove-me. Porque no início do ano pensei “porque é que ninguém sabe disto?! Porque é que até hoje eu não sabia disto”. E é como se o mundo tivesse despertado também.


As coisas estão a mudar, porque estamos a ser obrigados a isso. E acho que a educação tem aqui (sempre) um papel decisivo na mudança de mentalidade e paradigma.


Gostava que quem está a fazer o que pode para ajudar neste momento soubesse que está a ser, no fundo, um empreendedor social. Que está a ter impacto na vida das pessoas, que isso tem um nome e que pode ser isso que vá mudar o nosso mundo no futuro.



Gostava que soubessem, no final deste meu longo post, que isso é precioso e que isso não pode, agora que começou, parar nunca mais.

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